sexta-feira, 17 de junho de 2011

Churrasco Gaúcho X Churrasco Mineiro ou simplesmente "Mineirucho"?


Dias atrás entrou em contato comigo uma pessoa querendo saber dos meus serviços. Prontamente e como de costume falo como que é meu trabalho, quantas horas, o que eu levo, a indicação do cardápio, quantidade e qualidade das carnes a serem compradas e outros detalhes.

Mas algo me chamou a atenção. A pessoa que estava precisando dos meus serviços, tinha algo "incomum", não era mineiro, paulista, algum artista e nem muito menos algum estrangeiro, tipos de personagens que já tive o prazer de trabalhar. Esta pessoa era uma gaúcha! Barbaridade, tchê!

No meio da conversa, a gaúcha me pareceu que queria testar, perguntando como eu temperava as carnes, principalmente a de boi. Claro que sem me vacilar falei que era simplemente sal grosso e mais nada. Acredito que essa era a resposta que ela estava querendo e fechamos o "contrato". Outra coisa que me chamou minha atenção, foi o fato dela não fazer questão da carne suína, por mim tudo bem, o cliente que manda.

Chegando ao local, fui muito bem recebido pelo marido gaúcho e sua mãe também gaúcha, que na qual tivemos uma conversa "introdutiva" sobre os costumes mineiros e gaúchos, não podendo ficar de fora as rivalidades gremistas e coloradas, como as dos atleticanos contra cruzeirenses. Ufa! Não é à toa que torço para o América, pois o churrasqueiro como um bom jornalista estes devem ser imparciais.

Mas ainda o clima me parecia digamos que "tenso". O fato é que, apesar de ter conseguido convencer a esposa gaúcha pelo telefone, havia alguma desconfiança no ar, afinal um mineiro fazendo um churrasco para gaúchos e consequentemente à família que veio de Porto Alegre para a confraternização, não seria uma coisa que daria certo. E ainda para completar um amigo carioca brincando que o melhor churrasco é do Rio de Janeiro.

Ok, mãos à obra. No começo dos preparativos do churrasco, comecei uma conversa gastronômica com a simpática sogra da minha contratante, com ela me convecendo que é super fã da comida mineira e em contrapartida, eu buscando conhecimentos da culinária gaúcha. Foi uma ótima conversa e que de certa forma me deixou menos tenso para o "teste" de fazer o churrasco para os gaúchos. E eu ainda tinha uma surpresinha para eles, uma carta escondida embaixo da manga.

Comecei assando um único medalhão de picanha para fazer a degustação se era isso que eles estavam esperando. Primeiro teste, resolvido, sendo aprovadíssimo. Mais aliviado, retiro da minha bolsa a surpresa que tinha reservado à eles: um belo pedaço de barriga de porco, ou se preferirem, torresmo de barriga ou em alguns outros "sotaques" panceta. Sem ninguém perceber, temperei e mandei para a churrasqueira tal peça. Fiz isso, pois como escrevi no começo da estória, a minha contratante gaúcha não fazia questão de carne suína no churrasco pois não é da tradição deles assarem tal peça, ficando restrito aos cortes bovinos. Voltando ao assunto antes que deixo meu torresmo queimar, o presente já estava quase no jeito, faltando somente a pururucada final. Pururucado e devidamente assado, cortei em pequenos e pururucantes pedaços e servi primeiramente, claro, a esposa gaúcha. Ela olhou desconfiada e enquanto ela pensava se comeria ou não, rapidamente aparece a sogra e pega um pedaço. Eu sabia que a aprovação da sogra seria certa, pois na troca de conversa gastronômica que tivemos, ela tinha me confessado que adorava a carne de porco, diferentemente da sua nora que não gostava. Com a sogra aprovando, foi a vez da esposa gaúcha.

Momentos de tensão no ar...
E...
Tchãrãrãrã...

Como um bom mineiro faria (ou diria), ela "lambeu os beiço". Aprovado! Achou super interessante e saboroso a minha surpresa que após a aprovação, servi ao restante dos convidados.

Mas ainda não acabou por aqui...

Ainda tem minha última questão a ser resolvida para fechar a prova com nota 10. O marido gaúcho, pois ele não estava no local, tendo que sair às pressas para pegar algo relacionado à festa, talvez o bolo. Enquanto isso, um teste extra foi me dado. Preparar um abacaxi no modo deles. Já fiz abacaxi com provolone (ou com muçarela), abacaxi com leite condensado e canela, sempre fatiado, mas inteiro e em volta de uma camada generosa de canela foi novidade para mim, neste quesito também tive a aprovação. E realmente, apesar da minha desconfiança (como um bom mineiro), o abacaxi "à milanesa" ficou muito bom.

Então chega o marido que era o mais desconfiado (mais até que mineiro), e depois de tudo que relatei à vocês, não é necessário, mas irei dizer que fechei a prova com nota máxima.

2 comentários:

  1. E aí camarada, tranquilo?

    Tbm sou de Belo Horizonte e fã inveterado de churrasco. Vi seus comentários lá no blog do Daniel (deitando o gato...) e um me chamou a atenção: aquele que vc fala sobre a técnica do carvão colocado rente a parede da churrasqueira e não espalhado nela como é de costume. Fiquei intrigado e queria sugerir um post sobre essa técnica...resumidamemte: como que é isso???? hehehehe

    O blog ta massa, continua postado!
    abs
    Diogo

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  2. Opa! Fala conterrâneo!

    Você já descobriu o tema do meu próximo post!
    Estou pensando seriamente se escrevo ou não. Motivo: Essa costela vicia!

    Eu postei algumas fotos neste link:
    https://picasaweb.google.com/107790192918258888172/CostelaAModaFogoSemChao

    Essa técnica do carvão aprendi com o Embaixador do Churrasco (Mauro Camargo), mas não para fazer a costela e sim outros tipos de cortes, pois como você tem a pilha de carvão em um ângulo de 45º o calor terá várias graduações. Então fiz uma adaptação para a costela, nascendo assim a Costela à Moda Fogo SEM Chão.

    Dando um tempinho nos trampos irei fazer um post sobre ela.

    Abraços e retribuo o elogio pelo blog, o seu também está massa!

    Raphael Medeiros

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